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Carta aberta ao Presidente dos EUA
Senhor Michel Mukasey
Estamos solidárias com as famílias, com as esposas e filhos dos cinco heróis cubanos: Gerardo Hernandez Nordelo, Rámon Labañino Salazar, René González Sehwerert, Fernando González Llort, António Guerrero Rodriguez, presos há cerca de nove anos nas prisões da Florida (EUA), fechados em celas de castigo máximo, incomunicáveis, sem receber sequer visitas dos familiares, esposas, mães e filhos, apesar do julgamento a que foram sujeitos ter declarado ilegal o seu encarceramento e o Grupo de peritos das Nações Unidas ter considerado estas detenções arbitrárias e ilegais. Estes jovens deixaram as suas famílias para lutar contra o terrorismo que avassalava o seu País e era uma permanente ameaça para o seu povo. Numa altura em que o terrorismo parece ser para os EUA e seus aliados na Europa o principal inimigo a abater, aqueles jovens e Cuba, mostraram como é possível combater os grupos terroristas e conhecer os seus planos estratégicos, sem guerras nem invasões de outros países. Não poderão, portanto, pagar com a liberdade o preço de tão grande coragem e abnegação. Por isso, e porque todas as decisões judiciais afirmam a ilegalidade da prisão, nós, mulheres do MDM, mulheres sindicalistas, juristas e outras profissionais, nós próprias esposas, ou mães, ou filhas, pedimos a libertação imediata dos 5. Exigimos a sua libertação em nome dos princípios humanitários, em nome da dignidade e da honradez, em nome da estabilidade emocional dos filhos e respeito pelos laços da família. Exigimos a libertação destes cinco homens porque, defensoras que somos dos direitos humanos, essa defesa implica a defesa dos direitos das pessoas ao seu bom nome, a defesa da sua pátria, a defesa dos direitos em constituir-se como família, a defesa desse grande património que é a terra onde vivem e crescem, e onde querem viver felizes. Porque Cuba tem sido martirizada por um bloqueio económico, financeiro e comercial imposto pelos Estados Unidos contra Cuba há mais de quatro décadas, o que é uma injustiça histórica e uma brutal violência internacional que a todos e todas concerne - violência e opressão contra um povo - obrigando a que as mulheres e as crianças cubanas se sintam privadas das possibilidades de desenvolvimento do seu País e impedidas de desfrutar em pleno dos direitos humanos universais, nomeadamente o direito de escolherem o tipo de vida que querem ter e o rumo que desejam prosseguir. Para além da grosseira intromissão na soberania e nos destinos do povo cubano que representa este ignóbil bloqueio, são conhecidas as múltiplas tentativas para liquidar Cuba através de acções terroristas. Dessas acções terroristas e atentados resultaram, nestes quarenta anos, milhares de pessoas mortas e milhares de feridos e vultuosas perdas para a economia. Porque quiseram agir na defesa da segurança do seu país, os cinco homens cubanos, estão presos há cerca de nove anos, arbitrariamente, em prisões dos EUA. Porque se trata de uma prisão claramente política, exigimos a sua libertação, expressando a nossa calorosa solidariedade com as mulheres cubanas e com as famílias dos cinco cubanos que dignamente lutam pela libertação dos seus heróis e familiares e a quem, recentemente, o governo dos EUA negou os vistos de entrada para os poderem visitar na prisão. Solicitamos a sua atenção para a necessidade de dar cumprimento a decisões judiciais que consideram ilegal estas prisões e a consequente libertação dos cinco cubanos e desde já garantir os vistos de entrada nos EUA às esposas e filhos enquanto estão eles continuam detidos. O Conselho Nacional do MDM Lisboa, 30 de Setembro de 2007 |