
XIV Congresso da FDIM
Pelo reforço da FDIM e sua intervenção nas instâncias sociais e
políticas por um mundo sustentável, de igualdade e de paz
Sabendo que os Direitos das Mulheres são Direitos Humanos desde a
4ªConferência Mundial de Mulheres em Pequim de 1995 e que os êxitos
dessa Conferência não estão a ser cumpridos;
Sabendo que, apesar de alguns progressos, muitos problemas se acentuaram
desde então, e que a luta das mulheres tem sido muitas vezes afastada de
uma esfera de intervenção e seduzida por discursos de igualdade, que na
prática não é confirmada;
Sabendo que a realidade mundial não é uniforme e que as condições de
vida são muito diferentes e assimétricas entre os países e, dentro de
cada país, há desigualdades gritantes entre homens e mulheres e entre as
mulheres,;
Sabendo que não se pode ignorar que:
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Pelo menos 500 000 mulheres na Europa são traficadas anualmente com
o objectivo de exploração sexual,
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4 Milhões de mulheres e raparigas são compradas e vendidas por ano
no mundo inteiro, tendo em vista o casamento, a prostituição ou a
escravatura
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Uma em cada quatro mulheres grávidas foi abusada.
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Estima-se que a violência sexual, dentro e fora da familia, a
coerção, o tráfico, casamentos forçados, “venda da noiva” e práticas
tradicionais prejudiciais, como o Corte dos Genitais Femininos
(MGF), integram o quotidiano de mais de 20 milhões de raparigas
adolescentes em cada ano.
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As mulheres representam mais de 70% de 1.2 mil milhões de pessoas
que vivem em pobreza extrema em todo o mundo, e, com menos de 80
cêntimos / dia.
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130 Milhões de crianças no mundo que não freqüentam escolas, dois
terços são raparigas e dos 920 milhões de iletrados em todo o mundo,
dois terços são mulheres.
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O parto continua a ser uma das principais causas de morte evitáveis
em mulheres, tirando a vida a uma mulher por minuto e metade dos
novos casos de infecção pelo HIV/ SIDA ocorre nos jovens dos 15 aos
24 anos, e as raparigas são a população em maior risco.
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Milhões de mulheres são vitimas de terrorismo, ocupação estrangeira,
guerras, saídas forcadas, bloqueios...
A violência e a discriminação por ser mulher resulta em:
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Pouco acesso aos cuidados de saúde, à educação, ao emprego e ao
apoio das instituições sociais
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Índices maiores de morte, mobilidade ou incapacidade relacionada com
gravidez e maternidade
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Maior vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis,
incluindo o VIH/ SIDA
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Responsabilidade acrescida de cuidar do agregado familiar em
detrimento dos seus direitos individuais e de participação social e
política.
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Bloqueios, saídas forcadas, ocupações, intervenções militares,
guerras que afectam particularmente as mulheres.
As mulheres da FDIM têm razões para aumentar a luta contra as
desigualdades, as discriminações e contra todas as formas de violência
que perseguem as mulheres apesar do discurso "politicamente correcto"
que elogia as mulheres e lhes reconhece capacidade mas não lhes dá de
facto as condições para o exercício desses direitos.. Na verdade, fruto
das políticas neoliberais e consumistas, as mulheres continuam sob novas
capas a serem ofendidas e maltratadas, e paradoxalmente, sujeitas a
profundas discriminações e perda de direitos na maternidade, no
trabalho, na cidadania. As mulheres da FDIM, neste vigoroso XIV
Congresso, apelam a uma maior intervenção das mulheres do mundo pela
causa das mulheres, pela causa da igualdade e da solidariedade, pela
causa da paz. Unamos esforços, de mãos dadas, corações abertos por
transformações económicas, sociais, culturais e políticas que garantam a
dignidade da pessoa humana e um desenvolvimento seguro e sustentável do
Planeta onde vivemos.
Viva o XIV Congresso da FDIM
Proposta do MDM PORTUGAL |