“As mulheres
são as grandes construtoras e instrumento de mudança nesse
país”. A afirmação foi feita pelo presidente da Companhia de
Habitação do Paraná (Cohapar), Luiz Claudio Romanelli, durante o
seminário de ‘Habitação – Fortalecer a Família e Proteger as
Crianças’, promovido pela Federação da Mulheres do Paraná,
realizado nesta terça-feira (1.º), no auditório da empresa.
No encontro
que reuniu cerca de 150 lideranças comunitárias femininas,
Romanelli reconheceu que a contribuição das mulheres é muito
grande e lembrou que na sua gestão passada, durante o primeiro
mandato do governador Roberto Requião, foram elas as grandes
parceiras nos projetos de mutirão. “Enquanto os maridos
trabalhavam, eram as mulheres que iam para os canteiros de
obras”, disse.
Para ele, os
títulos de propriedades das casas deveria ficar em nome das mães
de família, porque num caso de separação, são elas que assumem
as maiores responsabilidades com os filhos. “Temos que
reconhecer as diferenças sociais para saber como enfrentar e
trabalhar com elas”, destacou Romanelli. De acordo com ele, esse
reconhecimento é necessário para a “realizar plenamente a
inclusão social”.
A presidente
da Confederação de Mulheres do Brasil (CMB) e da Federação
Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), Márcia Campos,
veio de São Paulo para participar do evento. Ela ressaltou o
trabalho que vem desenvolvendo, através de mutirões, junto as
mulheres em vários estados do Brasil. “Esse trabalho resultou no
prêmio ‘Boa Prática’, da ONU em 1994 e 1996”, destacou. De
acordo com Márcia, hoje 30% das mães são chefes de família.
“Isso é grave, é uma das piores crises que pode acontecer.
Significa que são mães que precisam trabalhar, criar e educar
seus filhos ao mesmo tempo, sem que tenham sequer uma referência
masculina, como figura de pai. Temos que pensar em como essas
crianças vão crescer”, frisou.
A habitação
é considerada pelas organizações femininas como o primeiro fator
de mobilização. No trabalho desenvolvido pela CMB e FDIM, a
preocupação não se limita apenas a construção das casas.
“Enquanto as obras não são concluídas, nós alfabetizamos,
qualificamos, criamos condições de associativismo,
cooperativismo, micro crédito e também atuamos na prevenção de
doenças e na geração de empregos”, destacou Márcia. De acordo
com ela, para se fazer a inclusão social é necessário
transformar as mulheres em cidadãs plenas. “Queremos desenvolver
esse projeto aqui no Paraná, em parceria com a Cohapar”, disse.
Na opinião de Márcia Campos, Romanelli vem realizando um
excelente trabalho. “É importante aproveitar o momento, onde o
presidente Lula e o governador Roberto Requião estão
comprometidos com a causa social, e a sociedade está disposta a
ser o agente transformador das mudanças. Todos nós desejamos um
Paraná e um Brasil diferente”, disse.
A diretoria
de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar foi representada pela
técnica Lilian Persia de Oliveira Tavares. Ela apresentou a nova
política de saneamento, voltada para o interesse social,
ressaltou a preocupação da empresa em tratar o saneamento,
levando em conta as condições ambientais, saúde e o
desenvolvimento sócio econômico da população. Lilian Persia
destacou que em breve estará vigorando a tarifa social para as
famílias de baixa renda, com valores diferenciados.
O gerente de
desenvolvimento Urbano da Caixa Econômica Federal no Paraná,
Manoel José Warumby, ressaltou que o objetivo do banco é apoiar
o poder público no desenvolvimento de ações integradas e
articuladas que resultem na melhoria das condições de vida da
população e lembrou que a Conferência das Cidades nacional que
acontecerá em outubro irá definir as novas regras para o setor
habitacional.
“Engenheiros
da Família”, foi a experiência que o professor Daniel da Costa
dos Santos, coordenador do programa da UFPR, trouxe para o
seminário. Segundo ele o programa tem a finalidade de prestar
assistência técnica, na área de engenharia civil, as famílias de
baixa renda. Para ele, essa experiência modificou muito os
conceitos teóricos. “Nos bancos escolares todos sabem que os
problemas existem, porém vivenciá-los modifica muitas teorias”,
disse.