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CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SINDICAL DAS MULHERES TRABALHADORAS
Conferencia
realizada em Bruxelas em 13 e 14 de Setembro de 2007 SKEVI KOUKOUMA – Participante e Vice–Presidente da FDIM
Queridas Amigas, Em nome da FDIM, gostaria de agradecer pelo convite para participar desta conferencia internacional que a FSM está organizando e também parabenizá-las pela iniciativa quanto a este nível de discussão, os problemas enfrentados pelas mulheres trabalhadoras e a posição das classes voltadas ao movimento sindical. Como foi pressionada, durante o 14º congresso da FDIM que ocorreu em abril passado na Venezuela, a cooperação da FDIM com a FSM pode levantar e fortalecer os movimentos de mulheres na sua luta contra o desemprego, pobreza, exploração, violência física, trafico humano e as horríveis condições gerais de trabalho com que as mulheres da atualidade convivem diariamente ao redor do mundo. É desnecessário dizer que a situação da mulher bem como as varias circunstâncias dependem do status de cada sociedade nacional ou continental em que vivem. Por exemplo, a vida de uma mulher africana conclui-se numa exaustiva vida de trabalho, a falta de acesso a informações sobre saúde e higiene, práticas que retomam a uma era medieval, extrema pobreza e perigo. Por outro lado, as mulheres na Europa e outros “países desenvolvidos” vivem um contexto de insegurança, mão de obra barata, pobreza, exploração e discriminação, manipulação de sua vontade oferecendo a essas mulheres soluções como “flexcurity’* com trabalhos não pagos ou empregos de meio período, trabalho autônomo e “esquemas de mulheres empreendedoras”. A opreção da mulher e de todos os trabalhadores, entretanto, não é limitada. Nos EUA e Europa os ataques do neoliberalismo avançam em ritmo extraordinário. A igualdade entre homens e mulheres pode ter sido acobertada com o prestígio de provisões legais e constitucionais, mas a desigualdade e a descriminação enfrentadas pelas mulheres foram criadas, elevadas e são freqüentemente reforçadas pelas condições econômicas, culturais, sociais e legais em que elas vivem. Políticas amigáveis, sociais e familiares são apenas slogans. Serviços públicos de bem estar, o real apoio das mulheres trabalhadoras, tem sido privatizado gradualmente, porém de maneira firme. Os setores produtivos, dos quais parte significante das mulheres está empregada, estão declinando e sendo sabotadas devido à “competição e empreendedorismo”. Empregos parciais e precários têm crescido significantemente entre as mulheres ao mesmo tempo em que o desemprego e o emprego informal são entre as mulheres o dobro do que entre os homens. Grandes negócios estão forçando a mulher trabalhadora a prometer que elas não engravidarão por um período específico ou do contrário serão demitidas. O nível de idade para aposentadoria aumentou, despesas com o sistema de saúde e de segurança social são postos nos ombros da classe trabalhadora e a todos estes desenvolvimentos nós podemos adicionar a desigualdade no pagamento das mulheres, que ainda prevalece. Trabalhadores estão sujeitos a escravidão, racismo, e ao desprezo das mulheres imigrantes, as mais pobres dentre os pobres. A Estratégia de Lisboa (Lisbon Strategy) e suas conseqüências (As Diretrizes de Bolkenstein*, as diretrizes de tempo de trabalho etc...) estão fazendo mal a todos os trabalhadores, mas particularmente as trabalhadoras. A dupla exploração da mulher – opreção de classe e gênero são parte componente de uma política que se organiza e controla tudo pela base do lucro. Essa é a política em cuja ONU e os “Estados Desenvolvidos” estão sendo construídos e se unificando. Devemos também adicionar algumas outras características do nosso tempo, características do capitalismo contemporâneo; reforçada prostituição – a terceira maior fonte de lucro depois do narcotráfico e venda de armamentos – violência familiar, abuso sexual e psicológico das mulheres, estupro, e comercialização do corpo da mulher. A posição da FDIM é de que todos esses sintomas de um sistema que envelhece, porém ainda não foi banido. As lutas dos movimentos de mulheres literalmente coexistem com a missão histórica da classe trabalhadora. A proteção dos ganhos dos trabalhadores e as demandas contemporâneas do movimento da classe trabalhadora não são apenas uma parte do movimento de mulheres. Nesta vanguarda, um enorme campo do desenvolvimento e cooperação é aberto extensamente, trocando experiências e organizando ações conjuntas entre a FSM e a FDIM quanto aos direitos das mulheres trabalhadoras e de modo geral com resoluções que afetem os povos do mundo. Organizações Sindicais, organizações de mulheres, grupos de demitidos ou desempregados podem desenvolver uma rede de solidariedade internacional do trabalho e utilizar métodos mais radicais para as mobilizações contra as políticas neoliberais anti-trabalho e de organizações internacionais como o FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comercio etc. Essas políticas deixaram 2.8 bilhões de pessoas ao redor do mundo vivendo abaixo da linha de pobreza, 70% delas são mulheres. Em muitos países as mulheres começam a trabalhar com 13 anos, sob terríveis condições, de 12 a 16 horas diárias, apenas por um pedaço de pão, nas fabricas multinacionais. Nas 1.000 Áreas de Livre Comércio* operando em 70 países (onde o governo não impõe nenhum tipo de proteção em relação aos trabalhadores) os trabalhadores vivem em quartos absolutamente segregados, sem qualquer água e mantidos afastados de suas famílias. Depois de alguns anos são considerados “não-produtivos” em virtude da sua condição de trabalho, a qual destrói sua saúde irreparavelmente. Cerca de 30 milhões de pessoas estão trabalhando nessas condições infernais e a opressora maioria são mulheres e jovens meninas. A FSM e a FDIM devem também cooperar no campo da luta política e ideológica por que o sistema elabora uma completa estratégia e táticas para a manipulação ideológica das pessoas, num esforço de esconder as reais razões da desigualdade e da opreção. Isso aparece, por exemplo, na participação de mulheres da elite nos corpos de decisão como um evento aproveitado pelas mulheres trabalhadoras do mundo. Ou quando se diz, por exemplo, que devemos ficar agradecidas por que as guerras imperialistas são difundidas pelas que mandam no planeta ou pelas ministras estrangeiras. Ou mesmo, ainda com essa percepção, deveríamos agradecer às mulheres que implementam as políticas neoliberais e anti trabalhistas, que punem o restante das mulheres com o desemprego, pobreza e indigência. Por outro lado, novamente as diferenças nacionais, culturais e religiosas que levam à violação dos direitos das mulheres são enfatizadas. Infelizmente essas são percepções que ganharam força e devem ser dirigidas coordenada e decisivamente. As organizações européias membros da FDIM estão trabalhando para produzir um manifesto das mulheres da Europa. Sob o título “O que as Mulheres Querem na Europa” – estamos prontas para usar o manifesto como campanha e consciência que levantam nossas forças. Claramente as questões que serão emitidas nesse manifesto embrionário – paz, trabalho, cuidado com as crianças e os jovens, água, reprodução dos direito e não violência – não são detalhadas. Mas são centrais para a vida das mulheres e dão sabor a alguns dos mais pressionados assuntos que enfrentam as mulheres. Convidamos nossas irmãs na Europa a se juntar a nós e aos nossos debates e lutas. Também serão bem vindos comentários de qualquer um ao redor do mundo. As decisões da ONU são de que 2009 será um ano dedicado às mulheres e ao trabalho. Minha proposta é que a FSM e a FDIM devem desenvolver de modo dinâmico um plano de ações para reforçara luta ideológica e provar a real natureza da dupla exploração da mulher. Para provar que a emancipação feminina é elemento essencial da luta da classe trabalhadora para a sua libertação social e uma sociedade qualitativamente melhor. Eu concluo minha contribuição relembrando-os com uma das frases de Clara Zetkin: “Essas trabalhadoras não são apenas mão de obra barata, isso também deprecia trabalho dos homens e por essa razão é duplamente apreciado pelos Capitalistas, os quais anseiam por lucros”.
13 e 14 de Setembro de 2007, Bruxelas - Bélgica
Declaração Final
A Conferência Internacional Sindical das Mulheres Trabalhadoras organizada pela Federação Sindical Mundial foi realizada em Bruxelas, nos dias 13 e 14 de Setembro de 1007 e contou com a participação de 95 delegadas de 62 países representando 80 organizações sindicais. Durante dois dias as participantes trocaram informações sobre a situação da mulher trabalhadora em seus respectivos países e regiões, reconhecendo que tem acontecido “algum progresso” apenas para as os setores ricos e abastados dentre elas, deixando para trás a grande massa de mulheres cujos problemas permanecem não resolvidos e com muitos obstáculos e lacunas quanto à igualdade de gênero.
A Conferência reconheceu;
Os Participantes foram da opinião:
As participantes reconheceram que para lutar contra a discriminação das mulheres é necessário criar sociedades justas aonde seres humanos possam ser a peça central de políticas desenvolvimentistas e que todas as forças progressivas possam lutar por um mundo melhor. Por um mundo sem a exploração da pessoa pela pessoa. As participantes também reconheceram que o lugar de trabalho é um espaço estratégico a fim de criar o próprio respeito para igualdade de gênero. Sindicatos são organizações dos trabalhadores criadas para proteger e melhorar a situação econômica e social dos trabalhadores através da negociação coletiva e de mobilizações para o benefício de ambos os gêneros; os sindicatos podem também exigir políticas e legislações do governo relacionadas às questões da igualdade das mulheres.
A conferência examinou algumas experiências, idéias e iniciativas introduzidas por sindicalistas nos termos de promover as políticas que engrenaram para realçar as condições de trabalho e os direitos socioeconômicos das trabalhadoras, e como resultado dessa troca concordou-se em:
Nós convidamos a todas as mulheres militantes do mundo para agir conjuntamente com homens dentro dos sindicatos. Para resistir a globalização capitalista, guerras imperialistas, destruição do ambiente. Para exigir sindicatos e liberdades democráticas. Denunciamos os ataques do capital, das corporações, e dos cartéis contra os direitos das uniões e violações dos direitos trabalhistas. Concluímos firmemente que iremos aumentar nossa iniciativa de solidariedade com sindicatos e povos guerreiros e estreitar nossa solidariedade internacional. Dirigimos uma chamada para aproximas a FSM no novo curso que se inicia no seu 15º Congresso in Havana, Cuba. Nós acreditamos que a classe trabalhadora do mundo necessita um movimento sindical direcionado para as classes, democrático, militante e moderno, independente das transnacionais e do capital. Bruxelas, 14 de Setembro de 2007
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